A vida é o orvalho que a manhã desperta,
Brilhando frágil sobre a folha verde.
Mas logo o sol, na sua rota certa,
Leva consigo o que o acaso perde.
Um breve instante de frescor e luz,
Um fim de tarde que ao silêncio induz.
Nós construímos pontes pro amanhã,
Guardamos beijos para uma outra hora.
Acreditamos na promessa vã
De que o relógio nunca vai embora.
E assim deixamos o viver pra trás,
Numa ilusão que não nos traz a paz.
Mas a ampulheta escorre entre os dedos,
O tempo é rio de águas fugidias.
É preciso rasgar os nossos medos,
E não contar os anos, mas os dias.
Amar agora, enquanto o sangue pulsa,
Antes que a força dessa voz se expulsa.
Pois somos breves, vírgulas no espaço,
Fagulhas soltas num imenso breu.
Que o nosso luxo seja o forte abraço,
E a paz na alma de quem já viveu.
Que a vida passe, mas que no seu voo,
Deixe a semente de um amor que ecoou.
Autor: JOAO AURELIO CARMO – www.joaoaureliocarmo.com.br